Sobre valor cultural

O Blogildo traz um post que diz tudo sobre valores culturais. Retrata um diálogo em uma universidade, não diz se é real ou não, mas aposto que sim. Reproduzo o diálogo e comento depois, em outro post.

Professor: O que é superior: um vaso chinês de porcelana ou um artefato ianomâmi?
Aluna morena: Nenhum dos dois.
Professor: Por que?
Aluna loura: São diferentes, ué!
Professor: Ai meu c…
Aluna morena: Não há superioridade, pois são expressões artísticas de culturas diferentes.
Professor: EXATAMENTE! São culturas diferentes. Esse é o ponto onde quero chegar. Não há isso de “cultura superior”. Existem diferentes culturas. E toda cultura deve ser respeitada em virtude dessas diferenças.
Aluno conservador cristão hidrófobo raivoso: Professor, e que dizer de uma cultura que respeite e reconheça as diferenças culturais? Não seria uma cultura superior?
Professor: Seria uma cultura mais esclarecida!
Aluno conservador cristão hidrófobo raivoso: Ou seja, superior!
Professor: Mas que cultura seria essa? Existe?
Aluno conservador cristão hidrófobo raivoso: A Ocidental.
Professor: HAHAHAHAHAHAHAHAHA! A Ocidental? Com todas as guerras, intolerância religiosa, genocídios etc?
Aluno conservador cristão hidrófobo raivoso: Mas essa é a única cultura – até onde entendo – que forneceu os instrumentos teóricos para avaliar outras culturas e até fazer uma auto-avaliação. Isso não indica superioridade, esclarecimento etc?
Professor : Pois é, mas aí a gente descamba para a filosofia e isso renderá um longo debate…

Mais sobre a Telezona

Folha:

AS “OCUPAÇÕES”, eufemismo para invasões, estimuladas pela administração Lula não se restringem ao setor agrário. Com financiamento estatal bilionário e apoio dos fundos de pensão controlados pelo governismo, duas companhias telefônicas acabam de “ocupar” um terreno irregular. A aquisição da Brasil Telecom pela Oi dá-se a contrapelo das normas anticoncentração responsáveis pelo sucesso da privatização da telefonia no país.
Como os contumazes invasores de terra, os artífices das negociações da “supertele verde-amarela” não temem repressão do Estado. Pelo contrário, estão certos de que serão, ao fim e ao cabo, premiados com a assinatura do presidente da República no decreto que, após o fato consumado, sacramentará o popular “liberou geral” nas regras para atuação desses gigantes empresariais em território nacional.

O grande problema do capitalismo é a tentação do monopólio. Talvez seja este o principal papel do estado na economia, impedir a concentração de empresas e defender a concorrência. Os efeitos nocivos do capitalismo __ nunca disse que era perfeito __ são bastante atenuados quando vigora um regime de competição real entre empresas.

A telefonia no Brasil foi um grande exemplo, hoje é preciso se desviar de tantos celulares que são arremeçados em nossa direção. A qualidade do serviço é melhor hoje do que no passado, os preços são menores, emprega-se muito mais gente e o serviço universalizou-se.

A constituição da Telezona é emblemático. É uma fusão que vai na direção de um monopólio, o governo deveria, portanto, desestimula-la. Além do mais, é contra a legislação em vigor. Não há garantia de criação de um único emprego, pelo contrário existe a assinatura de um contrato em que a empresa se compromete a não demitir ninguém nos próximos três anos. Mesmo assim o BNDES está despejando 3 bilhões de reais no negócio, mesmo sendo ilegal. Tudo porque existe um entendimento para que o presidente da república mude a lei para permitir a fusão.

Ao invés de estimular a concorrência, o governo trabalha para o monopólio no setor. Isto é próprio do estado quando se pretende agente econômico, na prática é uma medida estatizante, própria de um governo socialista. Ainda tem o discurso nacionalista para tentar dar uma explicação “moral” para a imoralidade, como sempre.

O editorial da Folha lembrou bem, quem pagará a conta no fim de tudo será o consumidor que terá menos uma opção em um mercado fortemente regulado.

Mais uma derrota do indivíduo em um mundo em que o estado é cada vez mais opressor.

Sinal amarelo para a democracia

A pesquisa divulgada hoje pela SENSUS (esta instituição deve ser vista sempre com cautela) mostra que cresceu a quantidade de brasileiros favoráveis a um terceiro mandato para Lula. Há lógica neste crescimento, o presidente está em um nível recorde de aprovação e nada parece indicar uma futura queda.

Não se deve entender democracia como direito de maioria. O princípio mais importante em uma democracia é o respeito aos direitos da minoria, coisa que simplesmente não existe quando se fala em estado totalitário. Além disso, a democracia deve ser protegida contra a própria maioria, que volta e meia pode apoiar a derrubada dos princípios democráticos.

Um deles é a alternância de poder.

Por isso é preciso acender o sinal de alerta, se é que não estava aceso, para evitar a tentação.

No totalitarismo, a preocupação é com a minoria. Na democracia, o contrário.

Em tempo: não acredito que Lula tope essa, mas não coloco minha mão no fogo. Acho que realmente está se preparando para o retorno redentor e triunfal em 2014, o que é um direito legítimo seu.

Alta do preço dos combustíveis

Diante da negativa do presidente da república sobre aumento nos preços de combustíveis fica cada vez mais evidente que ocorrerá a qualquer momento. A próprio presidente alerta sobre a alta do preço do petróleo internacional. Ficam duas perguntas para o monarca brasileiro:

  1. E a tão falada auto-suficiência brasileira do  petróleo?
  2. E a queda do dólar no mercado internacional? Afinal, o preço do barril é dado nesta moeda…

O que o presidente não fala é na queda de produtividade da estatal brasileira, a Petrobrás. Por que está caindo? Só somar:

estatal + monopólio + PT + governo Lula = queda de produção

O que leva à terceira pergunta: qual a relação da queda de produtividade da Petrobrás com o aumento do preço dos combustíveis?

Notícias no Brasil

Crise dos Alimentos

Folha:

Goldemberg descarta com outro dado objetivo: a agricultura de todos os países juntos se espalha por 12 milhões de km2 do planeta, mas só 100 mil km2 são destinados a biocombustíveis nos EUA e no Brasil. Ou seja, os “críticos perderam completamente o senso de proporção”.

José Goldemberg é um físico brasileiro respeitado mundialmente por seus trabalhos na área de energia renovável. Ele não nega, portanto, que haja substituição do cultivo de alimentos por biocombustível, apenas que a proporção é muito menor do que se prega. Seu impacto seria, na verdade, ainda irrelevante. É mais um dado para entender a questão dos alimentos.

Caso Isabella

Folha:

O integrante do Supremo critica a atitude das autoridades policiais e do Ministério Público no caso. “Polícia e promotoria alimentaram o espetáculo, firmaram uma convicção e divulgaram desde o início dados para comprovar sua tese.”
O ministro sintetiza seu sentimento com a seguinte frase: “Parece que decidiram massacrar a monstruosidade com outra monstruosidade. Pior, aqueles que deveriam zelar pelo Estado de Direito incentivaram o sentimento de Justiça com as próprias mãos”.

Trata-se daquelas famosas opiniões em off de autoridades. O ministro, seja lá quem for, está correto. Existe uma campanha de demonização da cobertura que a imprensa tem feito do caso Isabella, mas pouco li sobre o papel das autoridades policiais e judiciárias. Este problema não é de hoje, nem restrito ao Brasil. Os principais responsáveis são os promotores que buscam os holofotes atrás de auto-promoção. O que deveria fazer a imprensa? Ignorá-los? Deixar de noticiar a posição dos investigadores do caso? Antes de condená-los é bom lembrar que o caso é sim de interesse nacional, pode até não ser meu, mas é da maioria dos brasileiros.

ONGs na Amazônia

O Globo:
O sertanista Sydney Possuelo, que presidiu a Funai entre 1991 e 1993, critica a proliferação de ONGs em terras indígenas. Ele defende o fortalecimento da Funai e considera contraditório que o governo restrinja a liberação de recursos para o órgão enquanto financia ONGs.

– O Estado deve estar presente nas terras indígenas através de uma Funai forte e com poder de polícia, mas faltam recursos e pessoal – critica.

Para Possuelo, as ONGs só deveriam atuar em programas complementares de saúde e educação, e sob controle da Funai. Nunca em atividades como a demarcação de terras. Ele foi demitido da Funai em 2006 e depois criou uma ONG, que será desativada no fim do ano.

Eu entendi errado ou este cara condena as ONGs e depois de demitido da FUNAI fundou uma… ONG? Ou seja, ONG boa é a minha! Na verdade a FUNAI está na raiz do problema que se transformou a questão indígena do país, é a maior incentivadora da segregação, que não interessa à maioria dos indígenas. São muitos interesses, boa parte escusos, na questão. Parece que está se começando a discutir com um pouco mais de realismo este problema.

Crise dos alimentos

A Veja da última semana trouxe uma matéria sobre o aumento do preço dos alimentos. Apontou como principais causas:

  1. O crescimento da economia mundial dos últimos 4 anos. Em conseqüência, aumentou o consumo de alimentos nos países emergentes, especialmente China e Índia, onde se concentra quase 1/3 da população mundial.
  2. O aumento do preço do barril de petróleo que duplicou do início de 2007 para cá, elevando o preço dos transportes e dos insumos, como fertilizantes e adubos.
  3. A queda da cotação do dólar no mercado internacional nos últimos 6 anos, provocando fuga de investidores para os fundos de commodities.
  4. O incentivo do governo americano aos produtores de etanol de milho estimulando a migração dos produtores de soja e trigo.
  5. Fatores climáticos e de doenças que provocaram quebra de safra graves na China, Europa e Austrália

Analisando estas causas, é possível perceber que o presidente comprou a briga errada ao defender o biocombustível brasileiro. Em nenhum momento foi apontado como vilão, a crítica é ao incentivo dado ao biocombustível americano. É bom lembrar que no caso do milho, o rendimento por hectare é menor do que no caso da cana-de-açucar. Ao que parece o Brasil tem condições de aumentar sua produção sem prejudicar a produção agrícola, ainda estamos longe do nosso potencial.

Overdose de Lula

Esta overdose de Lula discursando todos os dias sobre todos os assuntos, não sei não, mas acho que alguma hora vai cansar seus próprios eleitores. Pessoalmente já não tenho mais estômago, pulo as referências aos discursos do presidente. O que gostaria mesmo era uma entrevista coletiva de verdade, com direito a perguntas incômodas e não aquele bando de jornalistas chapa-brancas que ficam abanando o rabo por um pouco de carinho.

Mas é exigir muito de alguém que se considera tão democrata, não?