Mais um ex-terrorista no governo

Parece que o novo ministro é Carlos Minc, ex-terrorista do mesmo grupo da Estela, que também responde pelo nome de Dilma Rousseff.

Com isso a companheira venceu o embate com um de seus principais adversários, o meio ambiente.

Que o PAC é uma imensa propaganda demagógica fica cada vez mais claro, mas uma oposição de um grupo identificado com a esquerda, como o dos ambientalistas, era uma pedra no sapato de Lula. É fácil para ele bater em capitalistas, mas abrir uma frente com os verdes já é bem mais difícil.

Por isso Marina dançou. Vai ficar falando para as paredes no plenário do Senado. E é muito.

Tchau Sibá

Sibá Machado, meu conterrâneo sem voto e sem vergonha em defender o indefensável está de partido do Senado. Tudo porque Marina Silva foi demitida, digo, pediu demissão, do Ministério do Meio Ambiente. Ele volta, por enquanto, para a irrelevância de sua suplência.

Por enquanto, porque o planalto deve uma recompensa a sua extrema cara de pau e disposição para fazer trabalho sujo. No mínimo o presidente vai criar uma nova secretaria. Algumas sugestões, todas relevantes:

  • Ações de curto prazo
  • Advocacia geral do planalto
  • Direitos indígenas
  • Observação de borboletas
  • Ações de médio prazo
  • Elaboração de dossiês, digo, banco de dados

STF e a reforma tributária

Como o legislativo não faz sua parte por estar submisso ao governo federal, caiu nas mãos do STF a possibilidade de se fazer a reforma tributária. Não se trata de legislar, mas de cumprir a lei.

Tudo se resume à base de cálculo do Confins, um tributo federal que incide sobre o preço do produto, com o ICMS estadual embutido. Trata-se, na prática, de cobrar imposto sobre imposto, o que é ilegal.

Caso o STF confirme esta interpretação, a desoneração será significativa. Haverá menos dinheiro nas mãos do governo e mais nas mãos da empresa. É bom lembrar que o Brasil tem talvez a maior carga tributária do mundo com serviços de padrão africano.

Que o espírito de Adam Smith ilumine nossos togados!

A “Polícia” da Serra do Sol

Folha:

Índios que lutam pela demarcação contínua da reserva Raposa/Serra do Sol (RR) montaram “um posto de fiscalização” na estrada conhecida como Transarrozeira para barrar caminhões e carretas que estejam levando carga para fazendas dos produtores de arroz.As propriedades estão situadas dentro da área indígena. O “posto de fiscalização” foi montado em substituição a um bloqueio na estrada. Anteontem a Polícia Federal negociou a suspensão do bloqueio montado no último dia 5, mas os índios mudaram de tática.
O índio macuxi Nileno Galé, 54, um dos líderes do movimento, disse que a partir das 17h o tráfego na estrada é fechado até as 6h do dia seguinte.
Durante o dia, quando o tráfego está livre, os índios fiscalizam os caminhões e carretas para impedir que cheguem alimentos, adubos, ferramentas e materiais de construção nas fazendas dos arrozeiros. Instalado pela comunidade indígena Jauari, “o posto de fiscalização” tem cerca de 80 índios.
Ontem à tarde a Folha presenciou a ação deles. Foram montados quatro quebra-molas em terra batida. De uma margem a outra da estrada, em dois pontos, os índios estenderam arame farpado. Um grupo se concentra na estrada, quando avista os veículos.

Um dos argumentos para se defender a demarcação contínua é que os índios não terão a posse da terra, apenas o uso, que a União poderá circular livremente dentro da reserva.

É uma grande mentira. Quem já trabalhou na Amazônia sabe que existem estradas que são fechadas em determinado horário para a passagem até do Exército.

Basta observar o que está acontecendo agora. Os índios tomaram as funções da polícia federal, sempre tão diligente em preder proprietários rurais, e instituíram um “posto de fiscalização”. Passam a coibir o direito de ir e vir de alguns brasileiros, sempre sob silêncio cúmplice do ministro da justiça.

Mais sobre Serra do Sol, a PF e dois pesos

Saiu no Globo de hoje:

A quem interessa a radicalização dos conflitos em Rondônia, na Raposa Serra do Sol? O Supremo Tribunal Federal arrogou para si a decisão final, que deve intervir nas próximas semanas. Decidiu também pela manutenção do status quo. Sustou, portanto, a retirada dos não-índios e dos índios que são seus aliados. O que aconteceu? Um grupo de indígenas invadiu uma das fazendas em litígio, com um discurso de “ocupação”, que terminou suscitando uma reação, certamente desmedida, porém reação a uma ação que deveria ter sido impedida pela Polícia Federal lá presente.

O mais surpreendente é que a atuação policial foi rápida na prisão dos que reagiram à invasão e ausente no que diz respeito aos invasores. Afinal, aguarda-se ou não uma decisão do Supremo? Ou se trata de desrespeitar a mais alta Corte do país, sob o manto de uma suposta legalidade? Quando a Polícia Federal chegou à região, cena do confronto com os arrozeiros, efetuou a desobstrução de rodovias que tinham sido ocupadas pelos manifestantes. Agiu de acordo com a lei, pois rodovias públicas não podem ser ocupadas. O que ocorre agora? Os indígenas ocupam rodovias e nada é feito. Num caso é contrário à lei e, noutro, não. Dois pesos e duas medidas são a melhor forma de desrespeito ao estado de direito.

A PF está cada vez mais instrumentalizada pela ideologia do atual governo, está no caminho de se transformar em uma polícia de excessão, como nos países de ditadura comunista. A escolha de Tarso Genro não foi sem razão, tratava-se de uma opção muito bem pensada para controlar a polícia e colocá-la como instrumento político do PT.

O STF é nosso último bastião na questão indígena. É preciso que não se deixe intimidar.

Índio contra índio

O governo conseguiu mais uma proeza, colocar índios contra índios.

Folha:

Um grupo de índios contrários à demarcação contínua da Raposa/Serra do Sol (RR) chegou ontem à Vila Surumu. Eles são favoráveis à permanência de arrozeiros na reserva e ameaçam entrar em confronto com indígenas que defendem a saída de fazendeiros.
O macuxi Sílvio da Silva, 42, líder do grupo, disse que 180 índios chegaram a Surumu. A intenção, segundo ele, é bloquear o acesso ao acampamento, montado por indígenas favoráveis à demarcação contínua.

E agora Tarso Genro? Resolve esta!

Mas não vale dizer que alguns índios são melhores do que os outros…

Alckmin, com quem andas?

Não é mais Aécio Neves o principal incentivador da candidatura do Geraldo à prefeitura de São Paulo. Agora é Ciro Gomes, um dos mais virulentos aliados de Lula durante o primeiro governo. O homem que prega uma nova “hegemonia cultural” no país, uma super aliança nos moldes que Aécio desenvolveu em Minas para inaugurar um tipo inédito de democracia, aquela que dispensa oposição.

O ex-governador está apostando cada vez mais alto.

Sobre educação

A Veja da semana passada trouxe um entrevista com Simon Schwartzman, ex-presidente do IBGE, sociólogo e estudioso de temas relativos à educação. Em síntese, ele faz o seguinte diagnóstico da universidade brasileira:

  1. As universidades contribuem muito pouco para o desenvolvimento do país. Isto acontece porque seu financiamento é inteiramente público, o que causa uma dissociação em relação às demandas da sociedade. A tendência é de acomodação.
  2. O sistema CAPES precisa ser reformado pois dá ênfase ao trabalho acadêmico e desestimula a iniciativa prática. A aplicação da pesquisa não é valorizada. Os pesquisadores só querem publicar artigos em revistas internacionais, assim que é publicada não se preocupam em procurar aplicar o resultado; é mais vantajoso começar outra pesquisa para publicar novo artigo. (Acabei de terminar um curso de mestrado, é a mais pura verdade).
  3. É preciso que as universidades tenham mais flexibilidade para gerir seus recursos e que não dependa integralmente do governo. É preciso premiar e pagar os professores pela contribuição efetiva para a instituição, não podem ser simples funcionários públicos.
  4. Os investimentos para pesquisas são muito pulverizados. É preciso concentrar dinheiro em centros de excelência para dar um salto de qualidade. Pesquisa científica é algo caro e concentrado, é assim no mundo inteiro.
  5. É preciso de pesquisadores com mentalidade empresarial, que esteja atenado com o que acontece fora da universidade para saber quais temas de pesquisas estão surgindo, as linhas mais promissoras e onde estão as oportunidades.
  6. O governo está muito preocupado com a inclusão na universidade, o que é um erro. Não há tanta gente para colocar na universidade porque o ensino médio está muito ruim. A política atual dá acesso para gente que não vai conseguir muita coisa, o problema da desigualdade social está mais ligada à educação básica do que com a universitária. A função da universidade é “produzir competência, gente bem formada e pesquisa de qualidade.”

O que devemos discutir é se essa universidade tem bons engenheiros, bons cientistas e se tem capacidade para oferecer serviços. O resto é secundário.

Na mesma edição, Claudio de Moura Castro trata de outro assunto relativo à educação, os “diamantes descartados”. Seus principais pontos:

  1. Surgem na escola alunos mais talentosos que os demais. Estima-se que cerca de 3% da população esteja nesta categoria. Na Inglaterra e na França eles ganham acesso às melhores escolas, nos Estados Unidos há programas especiais. Na Rússia e em Cuba há colégios para talentosos.
  2. No Brasil, quando estes alunos vêm de famílias mais ricas, os talentosos são identificados e recebem a educação apropriada. O problema é o aluno da escola pública, são ignorados. Na teoria educacional brasileira eles devem ser “integrados” aos demais. São impedidos de desabrochar, desajustam-se ou fingem ser medíocres, a fim de evitar conflitos e embaraços.
  3. Algumas empresas tem tomado o problema em suas mãos. Elas buscam alunos talentosos em escolas públicas e oferecem bolsas para estudarem em colégios privados. O governo começa a se manifestar, não gosta de ver seus melhores alunos pescados de suas péssimas escolas públicas. Acham errado premiar alguns poucos com uma educação compatível com seu talento. Isto produz uma igualdade forçada aplicando-se o princípios de tolher os mais talentosos. “É uma justiça social muito caolha, pois os ricos mais talentosos não são desperdiçados.

Segundo o geneticista russo Wladimir Efroimson o

talento não é uma propriedade privada, é uma propriedade pública e ninguém tem o direito de desperdiça-lo.