Conto da Semana: Jogo do Bicho (Machado de Assis)

Iniciei o projeto de ler um conto toda semana e dividir minha impressão inicial nestas páginas. Na verdade, ano passado dediquei-me bastante à leitura dos contos, inspirados em um capítulo do livro do Harold Bloom, Como e Por Que Ler. Este ano diminui um pouco o ritmo, mas dá para ler um conto por semana.

Jogo do Bicho (Machado de Assis)

Conta a estória de um rapaz de classe média baixa, recém-casado, que patina no emprego, sem conseguir a almejada promoção; ao contrário, vê os colegas sendo promovidos na sua frente. Também não mostra nenhum esforço para se destacar além de participar das fofocas internas. Seu principal esforço parece ser no Jogo do Bicho, que encara com racionalidade, como se fosse seu meio de ganhar na vida. Chega a convidar um bicheiro para ser padrinho de seu filho, na esperança de ganhar dicas dos vencedores.

Obviamente perde muito mais do que ganha. No fim, quando desolado ao fazer as contas e descobrir o tamanho de suas perdas, joga por uma última vez e ganha. Não o suficiente para repor suas perdas, mas serve para sua euforia, sua ilusão de sucesso. Em 24 horas gasta boa parte do que ganhou, mostrando o carácter temporário do dinheiro do jogo.

Machado parece estar mostrando algo bem típico de nossa gente, a tal “fezinha” no jogo como um substituto para investir em si mesmo e procurar ganhos permanentes através do próprio trabalho e desenvolvimento de habilidades. O narrador tem o sonho de ganhar o dinheiro que acha que merece e termina condenando sua família à mediocridade. Mais até do que o dinheiro perdido, há a questão do esforço que coloca no jogo, seja ele qual for, e, principalmente, a imobilidade. O achar que a solução está na sorte, deixa de lado o que realmente poderia estar fazendo para si mesmo ou por sua família.

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