Considero que uma das raízes dos males atuais que afrigem o Brasil está na Constituição de 1988. Seu texto tentou instituir o bem estar social no Brasil por decreto tornando-a impraticável. Para piorar, as leis ordinárias foram ainda mais incisivas no controle do cidadão pelo estado. Vejam o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA):
“Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”.
Só para ter uma idéias, a Constituição de 1937, em plena ditadura, era bem mais liberal.
“art. 125. A educação integral da prole é o primeiro dever e o direito natural dos pais. O Estado não será estranho a esse dever, colaborando, de maneira principal ou subsidiária, para facilitar a sua execução ou suprir as deficiências e lacunas da educação particular”.[1]
As leis atuais brasileiras querem tirar dos pais o dever pela educação dos filhos pois no fundo acreditam que sejam incapazes por acreditarem em valores estranhos aos humanistas. Como é difícil ensinar aos pais o que consideram correto, os valores progressistas, partem para os filhos na esperança de usar a teoria de Marco Aurélio de Mello de esperar aposentar os conservadores.
Uma coisa que sempre me chamou atenção é a grande quantidade de idéias progressistas que são frontalmente contra a família. Eles não são bobos, sabem que trata-se da grande perpetuadora dos valores tradicionais, junto com a Igreja. A grande quantidade de padres progressistas já indica a importância que tem para eles a destruição destes pilares.
No fundo de tudo isso a crença que os indivíduos são incapazes de pensar por si próprios, que são dominados por valores antigos e ultrapassados, que devem ser “educados”. Não é a toa que nas duas grandes utopias totalitárias __ as de Huxley e Orwell[2] __ a família é destroçada. Ambos sabiam que a conquista da sociedade pelo estado só seria completa com a desagregação familiar.
Ano passado o presidente da república em pessoa disse publicamente que a educação sexual seria feita nas escolas segundo os critérios do MEC independente da vontade dos pais. Estes nem sequer seriam ouvidos.
Foi assim que evoluímos de um texto da ditadura (a real) em que o estado era auxiliar dos pais na educação para um que os pais são fornecedores de educandos. Para nossa miséria futura.
[1] http://www.midiasemmascara.com.br/artigo.php?sid=6858&language=pt
[2] Admirável Mundo Novo (Huxley) e 1984 (Orwell)